domingo, 6 de fevereiro de 2011

MUNDOS PARALELOS

A vida de um aluno universitário marca-se pela agenda preenchida e falta de tempo para descanso. Desde aulas, trabalhos, frequências e exames finais, até à socialização inerente à vida académica; um jovem universitário raramente tem tempo para si. Existem porém vários indivíduos que paralelamente ao seu estudo mantêm um emprego ou participam em actividades extra-curriculares (dança, artes marciais, multimédia, etc).

Uma das actividades com mais aderência é a "música".
João Mota é um desses indivíduos, aluno do primeiro ano de Ciências da Comunicação e da Cultura na Universidade Lusófona do Porto (ULP), também é aluno no Fórum Cultural de Gulpilhares. Com o ensino básico de piano (5º Grau) e a Formação musical do Ensino Complementar (8º Grau) completo. Encontra-se neste momento a frequentar o 4ºGrau de Viola dedilhada, o 1º Ano a História da Música e 2º Ano de Análises e Técnicas de Composição. São várias disciplinas, que necessitam de várias horas de dedicação. Tal
tempo é díficil de arranjar e de organizar. Antes de ingressar no ensino superior dedicava em média 3 a 4 horas por dia a tocar o instrumento. Atualmente consegue tocar por dia 1 hora apenas.

O jovem admite encontrar dificuldades “...na distribuição do tempo”, sendo necessária uma avaliação de prioridades. Mas também encontra vantagens: “Continuo a estudar música porque gosto e penso que é uma mais valia para mim no futuro. E também aumenta a minha cultura”, eis a resposta para o porquê de continuar em música com as dificuldades que encontra em conciliar ambos mundos.
Outrora um ensino elitista assombrado pela crença que só se pode ser músico desde pequenino, o número de alunos de todas as idades (desde os 6 anos até aos 50) tem vindo a aumentar, tal como o contraste social e monetário também.

Tal é o caso de Simão Arinto que iniciou-se em Guitarra já com 18 anos.
Atende às aulas e tem evoluído com muita rapidez. Frequentava o segundo ano no curso de Comunicação Audiovisual e Multimédia na ULP quando decidiu dedicar-se à música por inteiro. Atualmente estuda para fazer
acumulação de anos a Guitarra e Formação Musical para poder concorrer ao Conservatório de Música do Porto.
Qualquer escola (oficial ou privada) aceita alunos desde que estes efectuem uma pequena prova de aptidão (Despacho nº18041/2008). Tanto Simão como João frequentam escolas privadas.

Localizado em Vila Nova de Gaia, o Fórum Cultural de Gulpilhares é uma das muitas escolas oficiais privadas de música no país. Tendo aberto as portas Oficialmente em 1997 (já existia préviamente), tem desde então leccionado o Ensino Artístico Especializado através do ensino articulado e nãoarticulado, cursos oficiais e livres.
Fundada e dirigida pelo Maestro Ramiro Lopes, a escola tem cursos especializados e oficiais nos seguintes instrumentos: violino, violoncelo, piano, canto, flaute transversal, óboe, trompete, trombone, harpa, clarinete, acordeão, percussão e saxofone.

Foi no saxofone que Sílvia Silva encontrou o seu instrumento de eleição. Frequenta o ensino musical à dez anos. Planeia concluir este ano o Ensino Complementar (8º Grau) a Saxofone e Formação Musical. As disciplinas de Análises e Técnicas de Composição e História da Música (necessárias para o diploma de ensino complementar especializado artístico) passaram para último plano, planeando concluí-las no ano lectivo de 2011/2012.

Sílvia é uma dos vários alunos que encontram grandes dificuldades em balançar os dois cursos. A 1 hora por dia que dedicava ao instrumento de sopro passou para 3 horas por semana. As vantagens de uma formação musical são simples: alternativa no mercado de trabalho. Quando inquirida sobre o porquê de continuar quando significa um horário tão carregado, Sílvia apenas respondeu que “tens as suas vantagens, eu gosto e faz bem ao stress!”.

A escola possui actualmente 230 alunos, incluindo cursos oficiais e livres. Dentro deste número mais de metade (70%) dos alunos encontram-se em ensino articulado, e grande parte (96%) pertence aos cursos oficiais. Ainda menor é o número de alunos que paralelamente ao ensino artístico  especializado frequentam o ensino superior: sete. Coicidentemente, dos sete alunos, três frequentam a Universidade Lusófona do Porto no curso de  Ciências da Comunicação e da Cultura - Jornalismo, um respectivamente em  cada ano.

Apesar dos números parecerem pequenos, o número de alunos tem vindo a crescer de ano para ano. Tal cenário é partilhado por outras escolas. De fato, estatísticas retiradas do dossiê do Ministério de Educação, “Educação Em  Números – Portugal 2010”, demonstram uma aderência vagarosa mas um crescimento estável.

Maestro Ramiro Lopes – Perfil Artístico
Joaquim Ramiro de Sousa Lopes, iniciou os seus estudos musicais aos nove anos de idade. Frequentou as Escolas do Conservatório de Música de Lisboa e da Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana. Foi músico solista em harpa, instrumentos em lâminas e tímbales na Banda Sinfónica, na Orquestra Ligeira da Radiodifusão Portuguesa e na Orquestra Sinfónica Juvenil, tendo integrado igualmente, a título eventual as Orquestras Sinfónicas da Radiodifusão Portuguesa e do Teatro S. Luís. Renunciando ao convite da
Orquestra Sinfónica do Porto e ao profissionalismo na área da Música, regressou à sua  terra natal para aí formar a sua Escola de Música e o Coral de Gulpilhares.

Por: Lara Costa

1 comentário:

Concorda com a medida do governo em proibir a venda de drogas legais em smartshops?

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